Tratamentos para câncer de próstata: saiba qual o mais indicado para cada estágio da doença

O câncer de próstata é o segundo mais comum em homens, e atinge principalmente os que estão acima dos 50 anos. Diferente do que muitos pensam, a maioria dos pacientes diagnosticados com a doença não morre por causa dela.

O baixo índice de mortalidade tem relação com a intervenção médica adotada. Especialistas explicam que o tratamento mais indicado depende do estadiamento da doença (se está apenas na próstata ou se espalhou), da idade do paciente e da expectativa de vida. Também pesar as decisões e expectativas do próprio paciente, como a relação dele com os efeitos colaterais.

Tumor restrito à próstata

Em pacientes em que a doença está restrita à próstata, podem ser adotados três tipos de tratamento: cirurgia, radioterapia ou observação continuada.

Cirurgia

A cirurgia é chamada de prostatectomia radical e consiste na remoção de toda a próstata, incluindo vesículas seminais e, em alguns casos, os linfonodos regionais.

As complicações da cirurgia que os homens mais temem, por sua vez, não são regra. A disfunção erétil ocorre de 30% a 60% dos casos, e a incontinência urinária grave, em 9% dos casos. Especialistas alertam, no entanto, que o risco de disfunção erétil é maior depois dos 65 anos de idade.

Radioterapia

São realizadas dois tipos de radioterapia: a externa e a interna.

  • Externa

O tumor é enquadrado no campo de radiação, através de exames de imagem. O tratamento dura de sete a oito semanas. Os raios são direcionados precisamente, atingindo apenas a próstata e poupando o reto e a bexiga.

As taxas de incontinência urinária induzidas pela radioterapia são baixíssimas, se comparadas às causadas pela cirurgia. As taxas de disfunção erétil causadas pela radioterapia também diminuem um pouco em relação às da cirurgia.

  • Interna (chamada também de braquiterapia)

Consiste colocação de sementes radioativas no interior da próstata, introduzidas por via retal, sob anestesia. O procedimento é realizado em um único dia, e não requer internação hospitalar.

Os efeitos colaterais são parecidos com os da radioterapia externa, mas menos intensos. A braquiterapia só é indicada para tumores pequenos.

Observação continuada

Estudos já realizados permitem que, atualmente, especialistas possam separar os tumores agressivos daqueles de evolução lenta e que não comprometem a qualidade de vida.

É possível observar os tumores que apresentam baixa agressividade, sem tratamento imediato. Segundo as pesquisas, o risco de morrer de câncer de próstata é menor do que 1%.

Tumor infiltrado em tecidos

Nos pacientes em quem o tumor está infiltrado em tecidos ao redor da próstata, como vesícula seminal, reto, bexiga ou nos linfonodos pélvicos, o tratamento indicado é a radioterapia com hormonioterapia. Em alguns casos, opta-se pela cirurgia.

Radioterapia combinada com hormonioterapia

O tratamento é a mesma radioterapia externa do tumor restrito, aquela direcionada à próstata e aos linfonodos regionais, em combinação com a hormonioterapia.

A hormonioterapia ajuda a diminuir os níveis de testosterona do organismo. Normalmente, a hormonioterapia e a radioterapia começam ao mesmo tempo, mantendo-se a hormonioterapia por três anos.
Como a testosterona estimula o crescimento do câncer de próstata, ao “cortá-la”, as células tumorais tendem a morrer ou ficar paralisadas.

Tumor nos ossos ou outros órgão

Quando o tumor atinge os ossos ou outros órgãos, o indicado é a hormonioterapia e, quando ele se torna resistente ao tratamento hormonal, recomenda-se a quimioterapia.

Hormonioterapia

A probabilidade de resposta a essa forma de tratamento é maior que 85%. Contudo, ao contrário da radioterapia e da cirurgia, na doença localizada o tratamento hormonal tem a capacidade de controlar o tumor, mas não de curar o câncer.

Na prática, a hormonioterapia do câncer de próstata priva o organismo da testosterona. Isso pode ser feito de duas formas: pela orquiectomia (retirar os testículos) ou pelo bloqueio com medicamentos que impedem os testículos de produzir a testosterona.

A hormonioterapia, no entanto, tem efeitos colaterais importantes: perda da ereção e da libido, possibilidade de diminuição de massa muscular (LINK) e óssea, além de aumento do volume das mamas. São comuns, ainda, sensação de ondas de calor e aumento do risco de doença cardiovascular.

Quimioterapia

Esse tratamento reduz a massa tumoral e controla a doença para diminuir os sintomas (em particular a dor óssea), além de melhorar a sobrevida e a qualidade de vida. Contudo, a quimioterapia também pode afetar as células saudáveis, como as responsáveis pelas ações no trato digestivo, no sangue e as células que fazem o cabelo crescer.

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