Seu filho fica muito tempo no computador? Saiba o tempo máximo orientado por pediatras

É cada vez mais comum ver as crianças em celulares, notebooks e videogames. As brincadeiras – que antes eram realizadas na rua – agora são em uma tela e dentro de casa. Diferentes jogos de ação e aventura, e até redes sociais, acabaram conquistando e entretendo os pequenos. Mas, afinal, é saudável ficar tanto tempo assim ligado nas tecnologias?

Pediatras dizem que não! Crianças acima de seis anos e adolescentes deveriam usar as tecnologias digitais no máximo duas horas por dia, segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Além do uso ser limitado para evitar o estresse tóxico, deve ser proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial:

  • Crianças menores de 2 anos não devem ser expostas a conteúdos inapropriados de filmes.
  • Crianças entre 2 e 5 anos devem ter acesso às mídias eletrônicas por no máximo 1 hora por dia.
  • Para crianças maiores de 6 anos e adolescentes, o uso da tecnologia não deve ultrapassar duas horas por dia, exceto em caso de trabalhos acadêmicos. Deve-se estabelecer intervalos de descanso e atividade física, restringindo o tempo de jogos online, uso de aplicativos e redes sociais.
  • Crianças entre 0 e 10 anos não devem ter televisão ou computador em seus próprios quartos.

Problemas potenciais

A exposição às telas deve ser limitada porque o uso excessivo provoca diversas consequências, a maioria delas, negativa. O abuso da tecnologia está relacionado, por exemplo, ao aumento da ansiedade e ao isolamento devido à dificuldade de estabelecer relações em sociedade.

Além disso, crianças e adolescentes podem desenvolver deficiências visuais, auditivas e posturais, distúrbios do sono e alterações do humor. Essa lista de problemas potenciais ainda inclui redução da capacidade cognitiva e produtiva, déficit de atenção, problemas de linguagem e transtornos ligados ao sedentarismo, como obesidade.

“As crianças e adolescentes ainda estão em fase de crescimento e de desenvolvimento cerebral. Por isso, nesse período, elas precisam de diversidade de estímulos para poder formar conexões em diferentes áreas cerebrais para desenvolver habilidades necessárias para o resto da vida: a curto, médio e longo prazo”, explica a presidente do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento, Liubiana Arantes de Araújo, no site da SBP.

Dicas aos pais

Para evitar o estresse tóxico e também o uso excessivo de tecnologias digitais pelas crianças, é imprescindível o controle realizado pelos pais. Em uma cartilha, a Sociedade Brasileira de Pediatria elenca algumas dicas, entre elas a importância de os pais escolherem jogos e filmes pedagogicamente adequados para cada faixa etária.

Diálogo aberto

Converse com seus filhos sobre a internet e também sobre as redes sociais. Indique quais os sites são mais apropriados, de acordo com o desenvolvimento e a maturidade de cada um. É importante compartilhar o uso positivo das tecnologias digitais com seus filhos nas tarefas de rotina ou lazer, mas sem invadir os espaços e as mensagens deles. Sugere-se fazer uma lista de sites recomendados, conversar sobre os perigos e riscos da internet – como encontros com pessoas desconhecidas em redes sociais ou fora delas.

Monitoramento sem invasão

Verifique a classificação indicativa para games, filmes e vídeos e conteúdos recomendados de acordo com a idade e compreensão de seus filhos. Essas informações, quando não aparecem logo na caixa dos produtos, estão em normas técnicas e guias práticos para todas as famílias, e também são acessíveis online.

Regras para todos

Estabeleça regras e limites bem claros sobre o tempo de duração em jogos por dia ou no final de semana.
É importante que todos concordem sobre como as coisas vão funcionar. Lembre-se de incluir na “lei da sua casa” a entrada e permanência em salas de bate-papo ou em redes sociais. Jogos de videogames online também costumam ter chats, então mencione isso nas conversas.
Recomenda-se não fornecer cartões de crédito de uso pessoal para as crianças usarem online.

Respeito acima de tudo

Discuta francamente com seus filhos e filhos sobre qualquer mensagem ofensiva, discriminatória, esquisita, ameaçadora ou amedrontadora. Assuntos e textos desagradáveis, obscenos, humilhantes, confusos, inapropriados ou que contenham imagens ou palavras pornográficas ou violentas são típicas das redes de intolerância.
É preciso que os pequenos entendam a gravidade desses casos, para que não os repliquem, com ou sem a intenção. É importante também que se sintam abertos para conversar com você caso sejam vítimas de ciberbullying.

Todo mundo offline

Crie tempo para ser pai, mãe, avô, avó, tio/tia, madrinha/padrinho sem o uso das tecnologias. Planeje as refeições sem qualquer uso de equipamentos à mesa.

Atividades de finais de semana ou férias também podem incluir ficar longe do Wi-Fi ou de computadores e celulares. Outra opção é limitar o tempo de uso para uma ou duas horas por dia para todos (inclusive, você).

Brinque mais com seus filhos de maneira interativa, olhando, abraçando, sendo parceiro(a) e estando ao lado deles, sempre que precisar. Supervisione e construa uma relação de confiança.

Modelo sempre

Lembre sempre que você, como adulto, pai ou mãe, com a convivência diária, se torna um modelo de referência para seus filhos. Portanto, deve dar o primeiro exemplo, limitando o seu tempo de trabalho no computador, quando estiver em casa.
Desconecte-se e esteja presencialmente com seus filhos. Vai ser bom até para você, além de para eles.

Segurança digital

Recomende aos seus filhos que nunca forneçam a senha virtual a quem quer que seja. Mesmo que eles pareçam saber mais do que você, alerte-os para que não aceitem brindes, prêmios ou presentes oferecidos pela internet.

Assim como no caso das mensagens preconceituosas e violentas, é preciso, ainda, ensinar as pequenas e os pequenos a jamais ceder a qualquer tipo de chantagem, ameaça ou pressão de colegas ou de qualquer pessoa online.

Essa recomendação também vale para você. Evite postar fotos de seus filhos para pessoas desconhecidas ou público em geral.  Aprenda sobre os meios de configuração de privacidade e selecione como enviar fotos, vídeos ou mensagens. Existem vários sites e aplicativos que ensinam sobre segurança online.

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