80% dos homens que acompanham o pré-natal da gestante cuidam mais da própria saúde, diz pesquisa

O pré-natal não está cuidando apenas da saúde do bebê e da mulher. Uma pesquisa do Ministério da Saúde (MS) aponta que homens que acompanham as consultas das gestantes têm se preocupado mais com a própria saúde.
Segundo o levantamento, 80,71% dos pais que participaram do pré-natal começaram a se cuidar mais. Além de acompanhar o crescimento das filhas e dos filhos, bem como do bem-estar da gestante, no “pré-natal masculino” o homem é submetido a exames de rotina e testes rápidos.

Pré-natal masculino

O programa pré-natal masculino – normatizado pelo Ministério da Saúde em 2011 – tem dois propósitos: cuidar da saúde do futuro papai e aproximar o homem da medicina preventiva. A população masculina sofre mais com agravamento de doenças por só procurar ajuda médica em estágios mais avançados.
Entre os exames incluídos no pré-natal masculino estão sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, diabetes, colesterol e pressão arterial. A carteira de vacinação também é atualizada.
Em casos de necessidade, são solicitadas consultas complementares e exames preventivos, como o de próstata. O parceiro também é informado sobre os riscos de doenças sexualmente transmissíveis e da possibilidade de realizar a cirurgia de vasectomia.

Números

Dados do Ministério mostram que, em 2017, o SUS registrou 533 milhões de atendimentos ambulatoriais e 4,3 milhões de procedimentos hospitalares em homens. No mesmo período, no âmbito da estratégia Pré-Natal do Parceiro, foram registradas 3.795 consultas e 31.732 exames de detecção do HIV e sífilis no papai ou na gestante.
O MS aponta ainda que, em 2016, 736.842 homens morreram em todo o país. Entre as principais causas de morte estão:

  • tipos diversos de câncer (112.272), como próstata, fígado, pulmonar e de pele;
  • doenças do coração (68.018);
  • agressões (56.409);
  • acidentes (84.139), em especial de transporte (31.565);
  • doenças cerebrovasculares (51.753);
  • gripe e pneumonia (41.695).

Cuidado com a saúde não é rotina

Apesar de os homens estarem ficando mais conscientes, ainda é alta a parcela dos que não têm em sua rotina o cuidado com a saúde. O resultado é que, em muitos casos, doenças só são identificadas em estágios mais avançados, dificultando o restabelecimento da saúde.
A pesquisa mostra que 36,36% dos entrevistados não têm o costume de buscar atendimento em estabelecimentos de saúde. Desse total, 47,57% (6.455) informaram como motivo “nunca ter precisado”, falta de interesse ou não gostar de hospital.

A pesquisa

Os resultados divulgados neste mês fazem parte da terceira etapa da pesquisa Saúde do Homem, Paternidade e Cuidado. Ao todo, foram feitas 37.322 entrevistas com pais ou cuidadores que assumiram a figura paterna e que acompanharam o pré-natal, parto e pós-parto de crianças nascidas no Sistema Único de Saúde (SUS) no ano de 2015.
O objetivo do estudo é obter dados sobre acesso, acolhimento e cuidados com a saúde masculina nos serviços públicos de saúde. Além disso, propõe-se a levantar informações sobre o envolvimento do pai no pré-natal e no nascimento da criança.

Novembro Azul

A coleta de informações foi feita entre março de 2017 e março de 2018. O resultado foi divulgado em novembro, por ser o mês que alerta para a prevenção do câncer de próstata. Neste ano, o tema da campanha Novembro Azul é  “Homem, da Infância à Velhice, Cuide de Sua Saúde, de Novembro a Novembro”.
A ideia é que profissionais da saúde estejam atentos à importância de cuidar da saúde do homem de forma integral. O mês prevê uma série de ações voltadas à população masculina.

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