Câncer de mama: por que fazer exercícios físicos faz diferença

Trinta minutos por dia de exercício físico. Esses 150 minutos na semana (sem incluir sábado e domingo!) são a diferença entre a vida e a morte no caso de 12% das mulheres com câncer de mama no Brasil. Os dados são de um estudo com participação do Ministério da Saúde (MS) divulgado no dia 22 de outubro, como parte das ações do Outubro Rosa.
O Outubro Rosa, realizado anualmente desde 1990, busca conscientizar a população sobre a importância dos exames regulares. A iniciativa, que conta com a participação do Instituto Nacional de Câncer (INCA) desde 2010, também oferece acesso a serviços de diagnóstico e tratamento.
Fazer exercícios físicos regularmente seria a diferença entre a vida e a morte para 12% das mulheres com câncer de mama no Brasil. Esse é o resultado de um estudo com o Ministério da Saúde, divulgado no dia 22 de outubro como parte das ações do Outubro Rosa.

30 minutos por dia

Segundo a pesquisa, publicada na revista “Nature”, fazer 150 minutos por semana de atividades físicas aumenta a circulação de substâncias anti-inflamatórias naturais do corpo. Além disso, reduz os níveis de estrogênio.
O excesso de estrogênio é um dos fatores de causa e de piora do câncer de mama. Em grande quantidade, o hormônio pode levar à formação de mutações e à produção de radicais livres.
“A prática de atividade física melhora o metabolismo de alguns hormônios relacionados com o câncer de mama, o que pode evitar e até melhorar o quadro de uma paciente com a doença”, resume Fatima Marinho, diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. “Estamos conseguindo evidências para mostrar a vantagem de se reduzir o sedentarismo na população”, reforça.

Diagnóstico precoce

Identificar o câncer de mama nos estágios iniciais ainda é uma das principais formas de evitar a fatalidade do câncer de mama. Por isso, o autoexame é incentivado sempre como um dos focos do Outubro Rosa.
O autoexame, também chamado de autopalpação, não tem mais as “regras” de antigamente. Segundo o Ministério da Saúde, a indicação é fazer a autopalpação regularmente. O site do MS afirma que a mudança “surgiu do fato de que, na prática, muitas mulheres com câncer de mama descobriram a doença a partir da observação casual de alterações mamárias e não por meio de uma prática sistemática de se autoexaminar, com método e periodicidade definidas”.
O câncer de mama também pode ser detectado a partir da mamografia de rastreamento, recomendado a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos. O exame também pode ser pedido pelo médico para qualquer mulher, se a(o) médico(a) julgar necessário.
Segundo o MS, o câncer de mama é raro entre mulheres com menos de 35 anos. Os riscos crescem com a idade, em especial após os 50 anos. Existem vários tipos de câncer de mama, alguns com desenvolvimento mais rápido do que outros.

Grupos de risco

O risco de câncer de mama é considerado elevado para mulheres com histórico de câncer de ovário, mama em homem e mama em mulheres em familiares consanguíneos. A ocorrência de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos na família é um fator ressaltado.
Os principais fatores de risco enumerados pelo Ministério são:

  • falta de atividade física (sedentarismo)
  • peso corporal acima do indicado
  • tabagismo
  • má alimentação
  • bebidas alcoólicas
  • exposição solar
  • radiações
  • medicamentos

No caso dos medicamentos, há um alerta especial em relação à terapia de reposição hormonal (TRH). O MS indica que deve ser feita quando estritamente necessária, pelo mínimo de tempo possível e sob rigoroso controle médico.

Sintomas

A recomendação é que todas as mulheres, independentemente da faixa etária em que se encontrem, façam a autopalpação regularmente. Além disso, é preciso se manter atenta aos sintomas que podem acompanhar o câncer de mama. O MS lista:

  • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher.
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.
  • Alterações no bico do peito (mamilo).
  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço.
  • Saída de líquido anormal das mamas.

No caso de aparecimento dos sintomas, é indicado investigar com auxílio médico o mais rápido possível. Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, melhor é o prognóstico.

Quase 60 mil caso até 2019

Atualmente, o câncer de mama responde por 28% dos novos casos de carcinoma a cada ano. E apenas 1% do total de diagnósticos é em homens.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras. Os dados só se alteram na região Norte, em que o câncer de colo de útero (8% no restante do país) é o primeiro da fila, deixando o câncer de mama para segundo lugar. Os dados não consideram o câncer de pele.
A estimativa do MS e do INCA é de que, entre 2018 e 2019, mais 59,7 mil casos sejam registrados no país. Uma em cada 1.776 mulheres é o risco estimado para o biênio.

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